12 de abril de 2024

MANAUS E O DIA DO TRABALHADOR, UMA CURIOSIDADE HISTÓRICA

Manoel da Motta Monteiro Lopes, o personagem central da minha dissertação de mestrado. Na imagem que ilustra a postagem há um recorte do jornal amazonense Correio do Norte de 04-08-1910, em que se atribui à Monteiro Lopes a propositura da 1ª iniciativa de legislação trabalhista no Brasil, bem como da data comemorativa do 1º de maio como feriado. Também de um artigo carioca de 1960 reconhecendo a importância de Monteiro Lopes.

E o que isso tem a ver com Manaus? Monteiro Lopes viveu aqui no século XIX como promotor de Justiça e aqui esteve em 1910 como deputado federal, sendo muito festejado por seus feitos nacionais em prol da classe trabalhadora.

O 1° de maio é portanto uma data que aproveito para divulgar o personagem histórico popularmente pouco conhecido se considerada a sua importância. Trago este ano uma interessante matéria jornalística de 1960, que cito na dissertação.

“POLÍTICA EM FLAGRANTE
MAURICIO CAMINHA DE LACERDA (M C.)
VINGANÇA – Um leitor, tendo visto publicada uma referência à palestra que,a convite do Centro de Defesa do Petróleo e da União dos Servidores Municipais, fiz na ABI sobre legislação social, escreveu-me irritado: ” O
senhor cometeu um engano ao atribuir, a autoria da lei de acidentesapresentada à Câmara dos Deputados no princípio do século, ao deputado Monteiro Lopes. A lei era da autoria do deputado Carlos Penafiel.” Não, não me enganei. O projeto de lei do deputado Carlos Penafiel data de 1917. O do deputado Monteiro Lopes é de 1910 e foi, dos dois, o único por assim dizer com um profundo sentido socialista. esse Monteiro Lopes constituiu, por sinal, figura singular no panorama político da época, conquanto a História (escrita quase sempre pelos observadores de superfície ou por historiadores empenhados, a serviço da reação, em adulterá-la) não o refira com entusiasmo. Monteiro Lopes foi o único deputado negro cento por cento eleito no Brasil, seja nosdois Reinados, seja nas duas Repúblicas. Carioca, sufragaram-no
principalmente os operários de côr das oficinas federais e municipais do Rio.
A ele se deve aquele primeiro projeto de lei de acidentes, em favor dos trabalhadores do Estado e da indústria particular, instituindo seguros, pensões e aposentadorias. De acordo com a tendência socialista do propositor, o projeto era bem menos adstringente em declaração de direitos dostrabalhadores do que os demais que o sucederam; e o seu autor, querendo dar uma prova do espírito da lei proposta, soltou em pleno recinto do Congresso um bando esvoaçante de pombas brancas e negras, simbolizando a um tempo a conciliação racial e social dos brasileiros. Todavia, o projeto tomou o destino inexorável reservado às leis sérias com que se visava reduzir a prepotência patronal e os privilégios de classe e de casta neste País: acabou no porão da Cadeia Velha, onde funcionavam os arquivos da Câmara dos Deputados e hoje se encontra o Palácio Tiradentes. Revoltado com a injustiça (ou com a safadeza, que é o termo próprio e apropriado), Monteiro Lopes desforrou-se num discurso no qual, verberando o
desinteresse, o alheamento e a sabotagem aos seus pares, declarou que as pombas, a priori, já o haviam vingado, deixando, no recinto do Congresso e sobre as cabeças vazias dos deputados da reação ” o que eles tanto mereciam”. Tinha razão. E aindatem. Pois agora mesmo, quando se vê redobrar em fúria a resistência dos leguleios contra as reivindicações da classe operária, quando se observa o canalhismo dos politicões que, devendo servir ao povo, despudoradamente servem aos interesses antipopulares, agora mesmo, repito, a gente fica meditando na falta que estão fazendo as pombas do deputado. ”

Referências.
LACERDA, Maurício Caminha de. Política em Flagrante: Vingança. O Semanário: O jornal que vale por
um livro. Rio de Janeiro, p. 2-2. 3 set. 1960. Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?
bib=149322&PagFis=3244>. Acesso em: 03 abr. 2016.

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