12 de abril de 2024

Linguagem neutra, meus dois centavos…

Respeito quem advoga o uso,  mas não embarco nessa, não por outra coisa que lógica. Tenho histórico afirmativo e antidiscriminatório suficiente para sem qualquer temor dizer que não faço nem farei nada além das @s utilizadas em textos. Prefiro ações afirmativas práticas aos recortes mais estigmatizados e vulneráveis, não vejo a linguagem neutra como pretendida no contexto afirmativo não-binário com esse condão.

Na língua portuguesa o gênero não se dá apenas pelo fim das palavras em “o” ou “a”, mas sim também pelo artigo ou pronome que as antecede, sendo assim, além do “comum de dois gêneros” há um monte de palavras que terminam com “e” nem por isso são “neutras”, não vou dar exemplos mas basta puxar pela memória… .

Se fosse para “fazer direito” ficaria muito estranho por exemplo ter que usar também “artigo neutro” ou “pronome neutro” , imagine “es amigues delu” , “es pessoes não são todes boes, algumes são falses” , “elu/ile é boe gente, advogade probe”. Ou seja, se for para ser correto tem que trocar tudo, não apenas um “ezinho” no fim das palavras… e isso com toda certeza não vai “colar”.

Quanto ao não binário, apesar de uma realidade, fica complicado contemplar na fala e escrita tantas identidades (na verdade cada pessoa pode estabelecer uma que só faça sentido para ela própria…),  fora isso, em algum momento da vida o não binário foi tendente ao masculino ou feminino, logo, não deveriam se sentir “ofendides” por uma percepção (heteroidentificação) alheia diferente da sua própria, que é muitíssimo pessoal… e nem tem um regramento cultural, histórico ou gramatical que contemple de fato a situação.

No fim o que importa é o respeito e o direito das pessoas independente de gênero, a linguagem coloquial não é nem de longe o maior problema dos não binários, tem muitas coisas que deveriam ser vistas como prioritárias 🤷🏿‍♂️

Sobre o autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *