1 de dezembro de 2021
    Destacado de matéria na folha 20/11/21

A folha traz hoje uma matéria interessante, no fim darei o link, mas minha reflexão vem especialmente do trecho destacado na imagem acima.

Como se pode ver, apesar de parecer confuso ou distante da nossa realidade, na verdade apenas reforça coisas que já digo há tempos. Primeiro é que o termo afrodescendente surgiu para substituir o termo negro e tem equivalência. Não são distintos, pode-se dizer que são sinônimos perfeitos.

 

Segundo, que negro é um termo que surge no contexto da colonização do “novo mundo” tendo sido aplicado tanto aos primeiros escravizados, os indígenas, então chamados “negros da terra”, assim como aos africanos traficados, então chamados “negros da Guiné ou da costa d’África”, logo, nas Américas espanhola e portuguesa, tanto os indígenas escravizados e descendentes quanto afros idem, foram oficial e simultaneamente NEGROS por SÉCULOS…  (no atual Brasil até 1755).

 

Não é portanto à toa que o Chile, que como vários países da América do Sul, tende a “invisibilizar” a participação afrodescendente na sua população e história, não tem uma categoria “NEGRO”, apenas uma pensada para os seus grupos indígenas originários, mas é claro que nem todos os “indígenas” chilenos são de etnias indígenas originárias, muitos são “negros” no sentido mais global, ou seja afrodescendentes, daí marcam “etnia outra”,exemplo é a demanda abaixo:

Soa meio estranho para nós brasileiros ouvir “povos indígenas afrodescendentes”, já que a maioria dos brasileiros não sabe que “indígena” quer dizer nativo ou co-fundador com características étnicas distintas da hegemonia da sociedade envolvente (a do “branco” colonizador), mas troque “povos indígenas afrodescendentes” por QUILOMBOLAS… agora fez mais sentido? Imagino.

A Argentina, já tentou fazer a substituição da categoria negro por afrodescendente (que é a tendência global) mais cedo no último censo, mas enfrenta agora uma certa resistência, porque tanto os afrodescendentes quanto os indlígenadescendentes, já tem uma CULTURA de se autodeclararem NEGROS socialmente mesmo antes do censo pensar em admitir a categoria afrodescendente e mesmo que o termo tenha na origem uso pejorativo.

No Brasil em geral não há esse problema, pois a categoria PARDO, sempre fez parte da chamada POPULAÇÃO NEGRA, e em geral, mesmo a maioria esmagadora dos ditos pardos e que também tem alguma origem indígena, não vê problema em se agrupar fora do grupo branco, porém não pretende que isso seja feito de forma “independente” ou “diversa” da população negra (o que aliás os indicadores sociais demonstram ser “natural”, uma vez que são similares) já que isso é histórico e oficial desde ao menos o censo imperial de 1872.

Problema mesmo só tem no Amazonas…, aonde se desenvolveu nos últimos anos uma “jaboticaba amazonense”, ou seja, ao arrepio da lógica, da tradição histórica, das regras antropológicas, das constatações da sociologia e até mesmo do expresso na legislação maior.

A “jaboticaba amazonense” em seus “delírios étnicos separatistas” deve quase infartar quando vê uma foto da finada e famosa cantora argentina Mercedes Sosa, carinhosamente conhecida e autodeclarada como:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *