27 de novembro de 2021

 

Fardão da ABL

Bom, para mim essa não é a questão, letras nunca se limitou ao texto publicado como livro, a ABL nunca foi ABEL – Academia Brasileira de Escritores de Livros (muito embora ter ao menos uma publicação que assim possa ser considerada seja condição mínima).

Fizeram parte da ABL, o médico sanitarista Oswaldo Cruz, o inventor e aeronauta Santos Dumont, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, o político Getulio Vargas. A ideia era ter personalidades que estivessem inseridas de forma luminosa na cultura nacional, com livro publicado e “qualidade literária”. Ou seja, nenhum destes era conhecido como escritor, apesar de todos terem algum “livro” publicado, não é diferente do caso de Fernanda Montenegro e Gil, que também tem… . Por outro lado apesar de fato pouco conhecido, o próprio Machado de Assis, fundador da ABL também era ATOR, apesar de não atuar assim “profissionalmente”, naquela época, não era comum viver apenas de arte, aliás até hoje é difícil para a maioria…

Portanto, tampouco é problema o novo imortal ser um cirurgião, a verdadeira questão é: qual a grande obra dele e a sua relevância literária, dentro de todos os sentidos que o termo possa admitir ? Nunca ouvi nada sobre esse Niemeyer neuro, mas mesmo não sendo um leitor do Munduruku ao menos sei da sua relevância enquanto produtor textual e agente intelectual… .

Penso então que o problema é outro, o mesmo que rechaçou Conceição Evaristo, mulher negra, mas não teve força para barrar o já previamente imortalizado e popularizado Gilberto Gil, nem a branca Fernanda Montenegro, querida rainha da nossa dramaturgia. Evaristo e Munduruku tem obra reconhecida mas “de nicho”, não são exatamente “pop”, e daí ? Niemeyer também não, mas ao menos não foge tanto do “padrão hegemônico” histórico da ABL, que tem “chá das 5” …

Como diria nosso “velho comunista” amazonense #taexplicado

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