30 de novembro de 2021

“De um historiador para outro”, ou jornalistas que escrevem história popular.

Com o jornalista/escritor de história Eduardo “Peninha” Bueno, em Florianópolis.

Aproveitando a data histórica do 7 de setembro e os já tradicionais “chororôs” de historiadores acadêmicos contra jornalistas históricos, vou dar meu pitaco.

Eu acho que independente de ser jornalista ou não, o desconhecimento de História é que é problema. Por outro lado, não creio que apenas historiadores acadêmicos tenham “lugar de fala” sobre questões históricas , tem muita gente que gosta de História, pesquisa independentemente e tem muita moral para dar pitaco, aliás, as vezes com muito mais propriedade e sucesso.

O povo até gosta de História, mas na perspectiva popular os acadêmicos são “de dar sono”, não tem estilo, não se valem de truques literários, não tratam de passar a ideia principal fluidamente, se travam nos detalhes e nas “citações a cada linha”. Por tal, não é raro que historiadores acadêmicos (parece redundante mas de fato não é) reclamem que livros históricos de jornalistas e outros os deixam ricos e famosos porque vendem muito mais que o de historiadores… . Pela lógica não é difícil imaginar o porque da vantagem né ? 🤷🏿‍♂️ .

Cabe observar que jornalistas históricos ou outros escritores sobre História, exercem ofícios distintos do historiador, embora muitos não entendam assim, os primeiros não estão limitados pelo mesmo compromisso com paradigmas, rigores e métodos que o ofício de historiador exige. Com isso podem criar uma narrativa menos densa, mais fluida e agradável ao grande público, com o consequente guindamento à categoria de “best-sellers” e autores “pop”.

Enquanto historiadores desejamos atingir o povão, mas ficamos em geral “travados” pela episteme e mesmo certa arrogância acadêmica…, logo, nossa produção, é nato-científica, voltada essencialmente para a própria academia e não literatura no sentido estrito da narrativa recreativa. Mesmo quando abrandada para o formato livro ou produzida já com intenção popular, não tem condições de competir nas prateleiras e no gosto popular com o tipo de narrativa realizada com o “estilo pop” dos best-sellers.

Eu particularmente gosto de Jornalismo histórico, desde que conte as histórias com bom nível de honestidade e base… a exemplo do Eduardo “Peninha” Bueno… . Ontem tive a oportunidade de assistir uma palestra dele em Florianópolis, gente… simplesmente sensacional 🤷🏿‍♂️ não à toa ele sempre lembra:

” ‘Istoriador’ com I maiúsculo era minha piada preferencial sobre mim mesmo, só que ela acabou. Eu me apresentei assim em uma palestra em Parati e, ao terminar, o Eric Hobsbawm falou: ‘A piada é boa, mas você não vai mais poder usá-la porque o autógrafo que vou te dar é um rito de passagem’. E escreveu: ‘De um historiador para outro’. Eu também não me acho historiador, mas não é o que diz o Hobsbawm” (Eduardo Bueno)….🤷🏿‍♂️

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