6 de dezembro de 2021

adeus-marina

Todos sabemos que a pressão é grande, os compromissos e as alianças firmados vão para além do campo moral,  também para pontos pragmáticos, há que se considerar ainda que em questões de consciência cada um tem seus motivos.

Por outro lado,  a relação passional de Marina com o PT, tal qual toda separação motivada por preterimentos, traições, incompatibilidades, etc…;  gerou mágoas pessoais, orgulhos feridos, dificuldades de interação, desejo de ver o outro “se dar mal”, “provar valor”, enfim… coisas que podem suceder a qualquer um, e não raro provocando também atos “pouco racionais”,  não estou me referindo apenas pelo lado de Marina mas também do PT.

A “solução” de  sair de “consciência limpa” pelo fato de Aécio ter se “comprometido” com pontos programáticos colocados com condição, “justificando” o seu apoio, parece ser mesmo apenas mais uma forma de tentar atingir o PT  “dando um gás” à campanha de Aécio, penso que nem ela mesma acredita que tais compromissos seriam cumpridos em caso de vitória, simplesmente por em nada baterem com as práticas e mentalidade PSDBistas… .

Portanto a decisão de Marina em apoiar Aécio no segundo turno é o “tudo ou nada” dela, terá alguma sobrevida caso Aécio ganhe, mas já perdeu a legitimidade para ser “terceira via” nas próximas eleições, posso arriscar que com esse simples ato perdeu pelo menos 50% de sua densidade eleitoral, mesmo com o PT apeando do governo, o partido continuará sendo grande força política e não será agora que acabará a polarização com o PSDB, sua única chance futura (para a presidência) seria se tornar a candidata do PSDB ou por ele apoiada desde o primeiro turno em 2018 (política é caixinha de surpresas mas convenhamos isso é bem improvável…), portanto, mesmo que o PSDB ganhe, no longo prazo Marina perde ( tal qual ex-esposas magoadas,  seu único gosto será ver o ex-amado prejudicado, mesmo que isso não lhe ajude em nada, muito pelo contrário)

Agora alterando o cenário com vitória de Dilma,  nesse caso  Marina vai junto com Aécio para o semi-ostracismo…, uma vez que  Minas já “se livrou” dele, retomar o poder lá será complicado (ainda mais em um cenário com o novo governo mineiro do PT alinhado com um governo federal idem), por sua vez, todos sabem a guerra que ocorre dentro do PSDB todas a vezes que tem que escolher candidato à presidência, essa foi a chance de Aécio, se perder agora  e já tendo perdido o governo de Minas… “já era” para ele, e tendo  Marina perdido a “independência”, acaba também o grande trunfo que  a sustentou nas suas duas campanhas.

É certo que se boa parte de seus eleitores optará por Aécio no segundo turno, outra grande parte não a seguirá (eu inclusive), não apenas no segundo turno, como também em outra eventual candidatura à presidencial.

Outro sinal forte é que a amiga e apoiadora Neca Setúbal (isso mesmo, a herdeira do Itaú, de quem tanto injustamente falaram), já havia anunciado logo após o primeiro turno, que  se retirava completamente da campanha presidencial, voltando a se dedicar à Educação (seu real e principal campo de atuação), ou seja, não acompanha Marina no segundo turno, para bom entendedor… .

Se o caro leitor ou leitora  sabe do que se trata a tal “relação perde-perde” já deve ter percebido que seja qual for o resultado, para Marina é o que sucederá.

Adeus Marina !

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