6 de dezembro de 2021

O fim das “cornetinhas”, o boi-bumbá de verdade voltou !!!

Demorou, mas parece que finalmente o pessoal do boi-bumbá resolveu resgatar a preciosidade da cadência, temática e instrumental da melhor fase do boi-bumba de Parintins (antes dos “parararás”, da introdução dos metais (sopro) e da cadência e arranjos que pareciam retirados de trilhas de antigos filmes norte-americanos de bang-bang ( em que aliás o índios sempre levavam a pior), ou acelerada como a de uma sessão de ginástica aeróbica ).

O disco de 2012 do Caprichoso, traz a cadência bem marcada e forte que diferenciou o boi-bumbá (e agora incluiu alguns elementos do parente ancestral maracatu) ; o charango e a flauta andina (que inserem o boi em um contexto pan-amazônico) foram reintroduzidos, as grandes histórias e a divulgação dos povos amazônidas (sejam indígenas, ribeirinhos, caboclos urbanos de todos os tons e até dos negros que por muito tempo tiveram sua importância na demografia e cultura amazônica invisibilizadas), os termos indígenas que resgatam uma memória coletiva ancestral e comum à maioria dos amazônidas, voltaram com força  .

Das 20 faixas, na minha opinião 10  são de “boi bom” praticamente sem as “cornetinhas” (aliás a toada mais votada no site do Caprichoso, é justamente a “FARINHADA”  que é a única toada em que não identifiquei os horríveis “papapará ” dos metais, um excelente sinal que indica que o caminho é esse,  o retorno ao limite “pré-pararará”;  além de “Farinhada” e dos tradicionais rituais  (Morceganjo, Mai Marakã, Ritual Tariana, Paikisés Munduruku), destaque para a ” Mística Xinguana” , “ Sabedoria Ancestral” e  “ Filhos da Mundurukania“.

Além do imponente vozeirão do inquestionável “Rei David” Assayag (que independente do boi que esteja é “a voz da Amazônia”),  “Viva a Cultura Popular” resgata o orgulho (afirmativo, não besta…) dos amazônidas nativos ou “aderidos” (como é meu caso) e a beleza ,  força e magia de um ritmo sem similar em todo o mundo.

Ao ouvir esse disco, tive a mesma sensação de quando ainda turista em 1991, e subindo a sete de setembro no centro de Manaus, ouvi impressionado um som forte e mágico em uma antiga loja de discos que já não existe mais, era o primeiro vinil do Caprichoso, na época comprei e virei azul…,  já tinha deixado de ter tribo, mas agora voltei a ser azul.

Mais detalhes e ouvir e baixar as faixas no site oficial do Caprichoso : http://boicaprichoso.com/toadas.asp?Ano=2012&Sessao=Toadas#TITULO_CD

P.S ( Ainda tem muitas  “cornetinhas” no disco, mas pelo jeito estão com os dias contados no boi,  já vão tarde… 🙂 )

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